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48th

Nove tatuagens Três livros autorais Cinco participações literárias em Antologias e Coletâneas Alguns prefácios e orelhas em obras alheias Um filme Alguns traumas Onze países Dois Estados-moradas Uma empresa Alguns tantos projetos que valem a vida Sentimentalmente intensa e alérgica Assim como Hilda Hist, fico besta quando me entendem Leal e amorosa como todo sol em câncer [mas é porque eu quero] Vingativa e lasciva como todo ascendente em escorpião [também é porque eu quero] Torcida organizada dos afetos Debochada com os desafetos Ecumênica além da fé Dona de uma biblioteca organizada em [des]ordem sentimental Latino-americana nas cores, nas dores, na dança e aos berros como as veias abertas por Galeano Sou a vizinha que dança descalça na sala de estar [na minha e na dos outros que me são íntimos] Não me conformo com os lutos Transbordo alegrias [as minhas, as suas] Descobri, numa junção quase astral do universo, que gosto das terças-feiras  Sou existencialista na filosofia e nas c...

TEM UMA NUVEM CINTILANTE, SUAVE E ETÉREA, DANÇANDO NO MEU CÉU

Subtraio os anos de pandemia não vividos [apenas sobrevividos], somo os oito livros publicados, o filme lançado, a infância de cronópio, a adolescência latino-americana no drama, com alguns traumas que finjo que não existem na cortina de fumaça que também finge uma dança elegante e me vejo quase por completo. Tipo aquela nuvem baixa, branca, dançante e fofa que a gente olha e vê gatinhos, ursos não polares, navios e o que mais a imaginação deixar.  Do ano que terminou ontem tenho a dizer que voltei aos campos universitários para estudar Clarice [a Lispector] e Machado [o de Assis] não como se estuda na grade curricular, mas como fofoca de época, de modos e de intensidade.  Voltei a ler mais [e "Oração para desaparecer", da Socorro Acioli, foi a minha literatura mais emocionada do ano] e fui publicada na Antologia Poética da Academia de Letras da Grande São Paulo, com meu poema "Enquanto Trovoa". Mas confesso que, praticamente, não escrevi quase nada de ficção talvez...

47th

Brincar de “faz-de-conta” na versão adulta não é tão seguro como ser um cronópio de Cortázar. A gente perde a linha, arrisca abismos, irrita as famas [sempre tão metódicas], confunde, mesmo jurando uma certeza quase infantil, o que é real do que é fantasia. Daí no atropelo de uma vingança emocionada, a gente ama um amor que nem sabia que podia e tem de traçar um plano de fuga que nem existe, mas precisa [ser inventado]. Na minha versão de vizinhos de prateleira da minha estante de estar, a Socorro Acioli, quando disse que “todos nós somos a invenção de alguém” [no livro Oração para desaparecer] fez Cortázar sorrir como quem reconhece quem entendeu o jogo, fez dele instrução e ao invés de adjetivos megalomaníacos, usou cavalos-marinhos. Quando li, também sorri, mas foi um sorriso demorado, praticamente, paralisado, de quem ainda não sabe jogar o jogo, mas já tatuou ficção para que fosse, todo dia, realidade. Aliás, tenho me sentido num clube quase cativo de quem faz da escrita o que bem...

RUM COM FRAMBOESA

Tem ano que [me] confunde. Ora parece que faz tempo, ora que foi logo agora. Tem ano que parece aquelas colagens que a gente olha de longe e acha bonito e de perto não entende [quase] nada. Tem ano que parece que acabou e emendou em algum festival. No meu teve carnaval com uns rocks na casa de jazz. Depois um carnaval com jazz na casa de samba. E prolongamos uma ressaca de carnaval com o que há de mais carioca em éssepê. O Guy lançou o videoclipe de "Ninguém te espera" no comecinho do ano [a canção que me fez endoidecer no ano que já tinha passado], me convidou para escrever a orelha do seu livro de poemas "Dentes & Nomes (e os micropoemas)" e juntou nesse livro nosso esquema de pirâmide que deu muito certo [amizade tem dessas coisas bonitas!]. Teve blues que chegou num pacote repetido do natal passado, que virou quase aniversário [e continuo achando lindo quem contribui com a trilha sonora da minha vida em caixas de antigamente]. "Only God Was Above Us...

46th

  "As emoções são tudo que temos" - disse Paolo Sorrentino em 2015 através do seu personagem Fred [lindamente interpretado por Michael Caine] em "Youth". E desde então tenho repetido isso [com os devidos créditos] em toda conversa, em cada desabafo, em todo momento que cabe - já que sou uma emocionada de carteirinha vitalícia, dona dos dramas astrais, de choro com soluço duplo, de riso que emenda gargalhada, de raivas duradouras, de amores que ficam e das partidas doloridas.  As emoções moldam a gente. Moldam até a minha biblioteca que é organizada por [des]ordem sentimental. Ela tem mais escritoras do que escritores bem antes de se tornar pauta "que devemos ler mais mulheres". Lá, Simone [a de Beauvoir] fez uma vila com Clarice [Lispector], Ana Cristina César, Hilda Hist, Chimamanda Ngozi Adichie, Djamila Ribeiro, Virginia Woolf e Marjane Satrapi - fico imaginando elas todas amigas, num café que emenda uns bons drinks. E a minha coleção de Fernanda Young...

BALLET CÓSMICO

Em 2023 voltei a tantos lugares. Voltei para alguns abraços. Voltei a ter algumas raivas. Voltei a conhecer novas cidades, e, numa delas, pelo chão e poesia que Eduardo Galeano palavreou por tantos capítulos e abraços da américa que é tão nossa e latina. Colônia del Sacramento  parece uma "pequena Paraty", mescla com Ouro Preto e a origem portuguesa tem a brasilidade que nos apetece - é lugar de posse, [des]conquista e caos entre Estanha e Portugal. Nem Tratado de Tordesilhas deu conta disso! “La Calle de los Suspiros" reflete os contos que beiram a cidade e suas histórias, pois uns contam que é a rua onde os condenados à morte passavam para serem fuzilados à beira do rio, outros que era a rua dos bordeis e os suspiros vinham dos soldados que ali passavam e os fuxicos de quem observava o movimento. No alto do seu farol, das duas: as duas.      Voltei a comemorar aniversário. De cores e sabores andinos. De lhamices para todos os gostos e registros. Da piada intern...

45th

Filme. Livro. Plateia. Aquele processo descabido de fim. Aquela vontade de ficar porque sim. Os baldinhos de café entre doses geladas de água com gás. A ponte aérea para saciar vontade. Aquele refrão que toca no momento em que gente está a poucos centímetros de distância. Aquela cantiga de maldizer para não perder o réu primário. Aquele silêncio prolongado de quem escuta, guarda e abraça. Aquele discurso que deixaria Fidel [o Castro] cansado. A moça polida da Alice Ruiz que, vez ou outra, leva uma vida lascada. Aquela que sempre atravessa a rua para orgulho da Virginia Woolf [e para quem está do outro lado da calçada]. A que prefere as exceções, o ridículo de escrever poemas e os aniversários não marcados para celebrá-los todos os dias como Wislawa Szymborska. O fluxo arterial que pulsa medos, satisfações e vigília. A que, na vida, se despe existencialista como Beauvoir.  Lugar de alguns alguéns. Um easter eggs cravejado-precioso para uns e areia movediça para outros. Aquela q...

NINGUÉM É POR ACASO

A vida, muitas vezes, é caótica, nada coerente, duvida da gente e do que a gente sente. A vida pode ser um frame surrealista dependendo de como a gente conta, vê e transborda. A vida cabe numa dança feliz, ainda que tudo seja dúvida, com David Bowie solando pra você numa das cenas mais lindas do filme "Bardo: Falsa Crônica de Algumas Verdades, de Alejandro González Iñárritu". Uma dança feliz também me fez morada numa sala com nossas músicas numa casa que foi nossa por uns dias com o amor do dia que poderia ser de uma vida e que, no final das contas, foi o amor de uma temporada. Ainda assim, enquanto se existe no outro, somos equações límbicas baseadas em paixões clássicas como se Nick Cave quebrasse uma quarta parede só para cantar " There she goes, my beautiful world" nos créditos finais. De lá do confinamento da pandemia até aqui demos alguns passos além do sobreviver. Voltamos a frequentar além dos nossos cômodos. Voltamos a ver nossas pessoas. Voltamos a conhe...

44th

A [minha] fé ecumênica e nem sempre divina do ano passado deu um jeito de abençoar alguns dos meus delírios num improviso que só o jazz sabe fazer com elegância. E fez. Aos trancos. Aos barrancos. Aos berros. Aos sussurros. Num absurdo que nem sei. Num amontoado de emoção que sinto na pele que arrepia até depois que passou, que acabou, que se fez fim pra começar outro improviso ainda mais cheio de propósito e instinto. Acontece que é um tanto difícil assumir compromissos e não falhar mesmo planejando cada acorde, cada passo, cada conversa com afeto e cuidado. É como fazer uma playlist chamada “como destruir a vida em alguns riffs” e colocar aquela música que sempre fez parte da felicidade num lugar que não deveria. Não era para ser. Estraga tudo. Talvez por isso a gente se decepciona tanto com as frágeis promessas das pessoas. A gente acredita, sabe. A gente é fiel quando aquela música que trazia leveza passa a machucar e a muda de lugar. Já as pessoas não. Elas vão te foder enquan...

MAIS UM POUCO DE MUITO

Mais um ano pandêmico. Mais um ano morando numa bolha quentinha, em condições ideais de temperatura e baldinhos de café contrapondo a condições caóticas de pressão emocional e [des]governança política. Ouvindo a versão mais linda do deus Bob Dylan na voz de Gal Costa e Jorge Drexler em repetição porque a versão folk te implorando " Vá, ande, junte tudo que puder levar " é incentivo-abraço-delicadeza.  2021 passou correndo, veloz, atroz. É bom estar viva. É, também, dolorido quando as pessoas deixam de existir e você fica ali, como testemunha. Sempre verbalizei que gostaria de saber quando fosse morrer para poder me despedir da vida do meu jeito e a Ingrid teve essa possibilidade e fez isso com uma delicadeza difícil de ilustrar. Foram seis meses compartilhando seus dias. Suas danças na sala com o irmão e com o pai. A última live no hospital para que todos os seus, em todos os lugares do mundo, pudessem dizer o quanto a amavam e eram amados por ela. Se existe coisa mais bonita...

43th

As dores do corpo já incomodam tanto quanto as dores dos [meus] olhares, mas parece que se tudo der certo a gente vai viver muito, bem mais do que as tais das expectativas, geografia e linhas imaginárias que definem espaço e tempo. É bem verdade que há condições que nem sempre estão ao total alcance, mas todas elas dependem de participação, coragem e livramentos: Se o [des]governo se livrar dos colchetes e do fã clube. Se o coração ganhar sobrevidas a cada pequena morte. Se o alcance das breves belas emoções tiver a grandiosidade que merece e não se curve a qualquer liquidez megalomaníaca. Mas também é verdade que se prolonga a vida amando muito mais em perímetro diminuto, deixando pra lá o que não vale o [meu] tempo e berrando em denúncias oficiais [e protocolares] aquilo que a voz paciente não foi capaz de fazer entender. E nessa segunda temporada confinada por livre e espontânea consciência que é preciso estar para continuar, faço um feat platônico com o Jorge Drexler abusando num a...

Emoções fora de época

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Sobre o ano que terminou no carnaval e nem pediu desculpas? Tenho muito a dizer. Fiz até playlist . Parece que nada aconteceu, mas não é bem assim. Na verdade temos uma mania esquisita de achar que só porque as coisas não saíram da forma como queríamos, elas não existiram. Mas elas existiram: a contragosto, em versões não programadas, em versões adaptadas, em delicadezas necessárias. Eu até esperava [com pesar, mas com entendimento social e político] que passaríamos por uma guerra mundial, mas nunca cogitei uma pandemia. E passei a contar os dias confinada em faixas musicais numa playlist chamada “ Confinamento ”: uma canção por dia. E durante 218 dias contando a partir do dia 16 de março só vi a cara da rua nas idas quinzenais ao mercado e farmácia. Nenhum abraço, nenhuma visita, nada além do clã de dentro, do gato e de chamadas de vídeo tentando preencher o espaço que fica quando a gente não toca, não divide, não brinda.  Nesses dias todos comemoramos aniversários entre telas. ...

42th

“Já quis muito mudar o mundo, agora quero que o mundo não mude quem eu sou” é uma das poucas verdades que faço oração, mantra, desejo, guia ou seja lá o que for que norteia palavra lançada, escolhas e partidos. Porque se demora muito para entender o valor disso. A versão 42 chega no [meu] 125º dia de quarentena que parece um parque de diversões sem luzes, sem gente, sem diversão enquanto a escala Richter emocional celebra o estado mínimo das coisas íntimas que muitas vezes confunde alívio com alegria. Há uma linha do Equador todo dia para lembrar que limite é uma questão teoricamente moral ainda que seja praticada com o lado passional do arco venoso. Ainda assim há planos breves de felicidade como sempre houve por aqui. E eles têm acontecido ainda que pareçam tão meridianos num passinho que vai e vem como numa canção que abraça. Quem sempre aqui esteve continua prolongando temporada e no final das contas é o que [para mim] importa. 

TODO ANO TINTO MERECE UM BRINDE [E CONTINUAÇÃO]

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Pela primeira vez bebi mais vinho que cerveja - já posso dizer que 2019 foi um ano tinto. Como todas as outras vezes, muito café. Ora solo. Quase sempre [bem] acompanhada. Testando harmonizações. Aprendendo um pouquinho pra passar o tempo de gente com os mesmos interesses e retrogostos. Se 2018 foi um ano literário, 2019 foi cinematográfico. Culpa deliciosa das boas companhias que a gente tem na vida, de sentimentalidades cheia de blues, de choro na raiz do country, de sofisticação como o improviso de um bom jazz. Fui no meu primeiro festival como roteirista. Fui tão bem acompanhada que faria isso pro resto da vida. O coração continua visceral. Dói mais que deveria - ainda assim, seguimos testando todo ritmo que faz palpitar. Não vou contar os mortos - foram tantos! Deixo isso para os dias doloridos, pro ronronar do Kolber que sabe a hora precisa de ficar e para a intimidade de quem me empresta o silêncio para desatar nós que congestionam garganta. Mas conto, ao vivo, para os ...

41th

A previsão é de planetas retrógrados provocando eclipses, mas minhas coordenadas astrais são de lua, de amor, de trilha sonora sofisticada, de bem-querer, de tirania fantasiosa, de vingança furta-cor, de palavra que tinge qualquer silêncio constrangedor. E desde o momento que resolvi me salvar dos coisos hostis, das coisas que não valem o sorriso e dos horóscopos mais ou menos, meu universo particular, no auge da minha ingenuidade militante, tem feito mais sentido. Ano passado, nessa mesma época, fui livro. Esse ano estou sendo cinema. Perto de quem me esperança. Junto de quem admiro. E como o amor tem dessas coisas de morar onde é abstrato - por isso não se vende em lojas de departamentos, nem se compra com todo dinheiro do mundo, e pode até ir embora que fica – faço oração sagrada em modos afetivos como patuá. Quero pra agora. Pra já. Tudo que me é por direito, nem sempre adquirido, mas por muita vontade. Como diria Belchior, “o tempo andou mexendo com a gente sim...  A fel...

A LAVADEIRA DE ALMAS

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[A Lavadeira de Almas, Camila Morita] 2018 começou lá na ilha na companhia de quem sempre esteve na minha vida desde nosso primeiro encontro. Não sei se você tem muita gente que está presente desde o começo, mas em tempos difíceis para os sonhadores isso é um privilégio! 2018 foi repleto de dureza. Empoderaram a estupidez e a crueldade e nunca uma pré-eleição presidencial foi tão dolorida. Por consequência reorganizamos as relações, as prioridades, quem senta ao redor da mesa com leveza, quem não se incomoda com a sua felicidade, quem está junto na prática, no cotidiano - não sei como foi com você, mas esse processo também é dolorido, ainda que necessário para que haja alguma felicidade. Daí teve Radiohead depois de nove anos - mais um privilégio ter estado nos dois shows - e Buena Vista Social Club junto com a minha irmã - e insisto dizer que todo mundo deveria um dia dançar ao som de Buena Vista Social Club, curvar-se à presença da Omara Portuondo e não esquecer que a gent...

40th

O melhor de mim está nas páginas do  De Analgésicos & Opioides  que hoje, no meu réveillon pessoal, ganha sua versão impressa. A data é proposital, é de todo [auto]afeto e de um pouco de coragem. Porque os sentimentos são todos meus, mas os pronomes não. Porque os capítulos são de quem quiser, embora possam ser confundidos com alguma biografia não autorizada. Porque passei a vida toda lendo gente incrível e escrevendo " solo " entre colchetes. Mas a vida toda até aqui não é a vida toda de fato, então tenho aprendido a escrever junto, a declamar em alto e bom som o que parece verso livre, a fingir que a timidez não existe na hora de expor o que era só coisa do lado de dentro, e que depois de um jazz rasgado deve-se colocar um Alceu Valença para tocar na sala de estar, afinal, a vida - seja ela antes ou depois de entender as coisas - requer um dengo.  E já que acabei de chegar numa versão de mim em que as pessoas parecem saber das coisas, procurei abrigo em quem já...

MACHUCADOS

Era uma vez um amontoado de equívocos. Todos levados a sério demais. Doloridos. Comprimidos em cavidade torácica. Num estica e solta entre glote e nó. Era uma vez um menino de trinta e tantos anos preso na própria angústia que se fez grandeza meio a tanta pequenez. Era uma vez uma vida cheia de absurdos descontrolados em uma fantasia de mau gosto. Todos terminados em sopros, tarjas e engasgos.

COMO NUM MUSICAL DOS ANOS 30

Ele já não cabia mais no que era lembrança. Apareceu, vinte anos depois com tons grisalhos e costas largas, como se nunca tivesse ido embora e deixado o amor que sentia do lado fora. Sussurrou que precisava continuar, mas que agora do lado de dentro dela. Podia até ser numa película de alguns milímetros desde que ela soubesse dizer ‘eu te amo’ em corpo e gosto presentes.

FIRULAS

Quando te faço literatura retiro tudo aquilo que te faria fim e transbordo. Cometo exageros que você aceita só porque estão na horizontal. Aos pés da cama. De ponta cabeça. Em lisura poética. Eu te julgo incapaz e você sorri só porque acha que é ficção. Sufoco palavra em alguma má educação e você ri porque acha que é graça. Minto figura de linguagem e você acredita que é tudo questão de estética. E resta-me, no decorrer dos parágrafos e na advertência das pontuações, aceitar que continuamos despreparados sobre nós.