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Mostrando postagens de Julho, 2009

31th

As narrativas todas escapam. E você, que já não tem mais idade para chorar sem motivos, as recolhe em ordem biográfica. Os versos todos são desprovidos de rimas. E você, que ainda não tem idade para se esconder em licenças poéticas sofisticadas, os toma como verdades absolutas. Sim, você. Aquela que coleciona sentimentos desnecessários, que viveu em histórias emprestadas, que rabisca aforismos fora de rítmo. Aquela, das verdades em cores absolutas, dos argumentos em parágrafos relativos. Você, dona das narrativas em todas as pessoas, escapa. Tento usar dos pronomes oblíquos, mas aos 31, chamo de "você" a parte de mim que acusa "aquela" me pertence por direito. Aos 31, já não posso mais ser somente eu. Sou feita de referências. Umas bibliográficas. Algumas afetivas. Outras tantas que não sei de onde vieram... "... Nós vivemos em bares. E dançamos em mesas." [Lived in Bars - Cat Power]

ELOGIO AO AMOR

O meu amor tem quatro tempos. Tem imagens e diálogos que se completam em telas duplicadas. Tem falas em preto e branco. Tem olhares nas cores todas. Tem passado em verde-limão, em sépia, em vermelho rubi. O meu amor tem ritmo descontínuo. Tem inquietação. Tem tranquilidade. O meu amor não é pronome possessivo. O meu amor tem pronomes de ângulos oblíquos. Tem teoremas que escapam entre as expressões.
Elogio o amor para conservá-lo. Para sentí-lo sempre por perto. Para aprender sobre o cuidado das coisas todas. Das que não vejo. Das que não entendo. O meu amor tem alguns traços de Godard.