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Mostrando postagens de Maio, 2008

AMORES EXPRESSOS

Pensei em você hoje. Pensei em você como lembrança tardia. E você não é do tipo de lembrança que me faz sentir saudade (e antes que você entenda tudo errado vou logo dizendo que não posso ter saudade daquilo que não sei). Pensei em você mais do que merecia, menos do que deveria. Eu sei, eu sei de você o que não precisava saber e você nunca soube de mim além das cores dos meus cachecóis. O meu paladar de você é precário... E como eu adoro esse seu sorriso fingindo cuidado. Como gosto de você sem entrelinhas e explicações.

Pensei em você hoje. Pensei em você como lembrança tardia. E você não é do tipo de lembrança que me faz sentir saudade. E antes que você entenda direitinho o que eu disse, vou logo interrompendo: não ouse querer saber de mim mais do que poderia. Não te permito mais que um parágrafo. Não te permito menos do que já és.

PARÊNTESES

[ele responde ao parênteses dela]:

Assíncrono não-romance. Feito de passos descuidados. (E compassos escolhidos). Tom sobre tom. Tom sobre Jerry. Tolo Tom. Tolas epístolas. Nossas melodias alheias. Multifônicas, dissonantes. Pois para cada silêncio uma risada. Envolta por seus parêntesis. Minhas incertas exclamações - essas reticências estranhamente urgentes. [ele insiste em dar versões para sua primeira e imposta impressão]:

Um homem para uso tópico. De utópico uso. Para abuso absurdo. E este surdo objeto de abjeto uso, do qual me acuso. [ela acha que o não-romance dele é sinestesia... ele usa do anomimato como presença ausente e ela acha isso uma graça... ele diz que é pra uso tópico, mas é ela quem entende dessas coisas... ele impõe regrinhas idiotas sobre nós dois, e ela as cumpre, só para puní-lo... ele é o dono dos dois parênteses poéticos gostosinhos acima... ela sou eu em versão pós-moderna.]

IN BETWEEN DAYS

1. Era quase uma hora da manhã de hoje quando Mr. Bredis liga dizendo que me encontrou no presente que dei p'ra ele há dois anos... primeiro eu sorri, depois retornei a ligação p'ra saber exatamente aonde ele tinha me encontrado... não vou contar a história toda, mas há dois anos eu o presenteei com um "manual" repleto de coisas que deveriam ser ouvidas, encontradas e ditas. Faltava uma parte do presente, que ele foi buscar e passado dois anos, ele o tem por completo. Acho que foi o presente mais longo que dei p'ra alguém... acho que deu um certo trabalho (p'ra mim e p'ra ele). Acho que ele hoje, enxerga algumas coisas em mim que não saberia ver em meados de 2006. E tudo isso só p'ra dizer que eu desisti de presentear as pessoas com roupas, perfumes ou qualquer coisa perecível. Os sentimentos, por mais frágeis e abstratos que possam parecer, devem ser embrulhados em papéis coloridos e presenteados... "a felicidade só existe quando ela é compartil…

PARÊNTESES I

[abre parênteses]
Gosto dessa sua mania de dizer as coisas fora de ordem. Você calcula mal e eu me delicio em seus excessos. Gosto deles. Gosto do teu gosto delicado. Das aspas em maiúsculas quando fala. Das interjeições dos teus pronomes. Gosto das suas oscilações premeditadas. E me perco em suas condições equivocadas. Gosto da sua presença. Mas sua ausência me escapa. Gosto das repetições dos seus sujeitos. De encontrar-te enquanto volto pra casa. Em números sortidos. Em análise combinatória. Gosto quando me lê além do que está escrito. Gosto de você porque sei que vai pensar na possibilidade de ser você, o motivo do meu descompasso. E isso é quase uma pausa. P’ra você pensar. P’ra você repetir tudo em voz alta e encontrar os seus excessos... aqueles que gosto, aqueles de gosto delicado. [fecha parênteses]

ABOUT A BOY

Algumas referências desnecessárias. Alguns “p.s” fora de ordem. Mania de dizer as coisas por impulso ensaiado. Um riso fora de propósito que me desconcerta. Deliciosamente você não é bom de improvisos. Não sabe a diferença entre ser e estar. Provoca-me em intervalos dissonantes. Faz-me esquecer-te em descuido precário. Pensa em mim como poesia curta. Imagina que eu não sei desenhar sua versão pós-moderna e assim, se esconde em traços que já conheço.

[ele desconfia das minhas armadilhas literárias, mas ainda não improvisou nenhum discurso sobre isso]