TODO ANO TINTO MERECE UM BRINDE [E CONTINUAÇÃO]



Pela primeira vez bebi mais vinho que cerveja - já posso dizer que 2019 foi um ano tinto. Como todas as outras vezes, muito café. Ora solo. Quase sempre [bem] acompanhada. Testando harmonizações. Aprendendo um pouquinho pra passar o tempo de gente com os mesmos interesses e retrogostos. Se 2018 foi um ano literário, 2019 foi cinematográfico. Culpa deliciosa das boas companhias que a gente tem na vida, de sentimentalidades cheia de blues, de choro na raiz do country, de sofisticação como o improviso de um bom jazz. Fui no meu primeiro festival como roteirista. Fui tão bem acompanhada que faria isso pro resto da vida. O coração continua visceral. Dói mais que deveria - ainda assim, seguimos testando todo ritmo que faz palpitar. Não vou contar os mortos - foram tantos! Deixo isso para os dias doloridos, pro ronronar do Kolber que sabe a hora precisa de ficar e para a intimidade de quem me empresta o silêncio para desatar nós que congestionam garganta. Mas conto, ao vivo, para os vivos, ao redor de uma mesa quentinha e cheia de pilequinho, todos que vieram frequentar os dias, todos que espero que fiquem em 2020 - se você não veio, perdeu meu bem. Perdeu mesmo. Foda-se minha falta de modéstia. Desengavetei um projeto e ganhei um sócio-torcedor que também é fazedor - de repente, não mais que de repente, ele seja exibido em 2020 - exibido mesmo, de metido de lindo. 2019 também foi injusto e moleque, riu da nossa cara, fez politicagem baixa e muita vassalagem. E embora a previsão seja que 2020 fique tudo pior, torço para que previsões desse tipo sejam desmentidas em praça pública, passando vergonha. Olho pra cima do muro e vejo tanta gente legal lá que não sei até onde minha miopia embaça critérios. Ainda estou aqui do lado de 'baixo'. Tomando partido. Tentando, aos trancos e barrancos, não ser aquilo que [me/nos] ofende. Quero me divertir também, apesar dos pesares. Quero dar check-in em novos lugares, gentes, 'uaifais' - se é que me entendem. 

Por isso, chega mais 2020, pode vir bonito como foram os anos 20 'dos mil e novecentos' em tons parisienses de lá e da modernidade desvairada de cá. Venha com toda paz ecumênica que nenhuma religião sozinha é capaz de oferecer. E dane-se a moral questionável e os maus costumes alheios. Está tocando aquela música bonita na playlist que fiz pra dar trilha sonora pra vida. E nem é coincidência. É tudo de propósito mesmo!

Comentários

  1. Que realmente as previsões estejam erradas e que 2020 seja muito mais do tipo geração anos 20 do que dos anos 2000! Lindas palavras como sempre Tati e que 2020 seja cheio de muitas música, vitórias e muita felicidades!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Caio, obrigada por estar junto desde o comecinho, por ter estado ainda mais presente nos últimos tempos e que nossos anos 20 sejam bem melhores e mais bonitos que as previsões... risos!

      Excluir
  2. Belo texto! Fico muito contente com suas conquistas em 2019 e desejo, assim como você, que 2020 possa surpreender e desmentir os prognósticos pessimistas.
    Abraços e que um maravilhoso ano nos abrace!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Marina, que estejamos prontas para desmentir os prognósticos dos anos 20 com todo amor e vontade! Obrigada por estar presente também! Beijos de feliz ano novo!

      Excluir

Postar um comentário