TEM UMA NUVEM CINTILANTE, SUAVE E ETÉREA, DANÇANDO NO MEU CÉU
Subtraio os anos de pandemia não vividos [apenas sobrevividos], somo os oito livros publicados, o filme lançado, a infância de cronópio, a adolescência latino-americana no drama, com alguns traumas que finjo que não existem na cortina de fumaça que também finge uma dança elegante e me vejo quase por completo. Tipo aquela nuvem baixa, branca, dançante e fofa que a gente olha e vê gatinhos, ursos não polares, navios e o que mais a imaginação deixar. Do ano que terminou ontem tenho a dizer que voltei aos campos universitários para estudar Clarice [a Lispector] e Machado [o de Assis] não como se estuda na grade curricular, mas como fofoca de época, de modos e de intensidade. Voltei a ler mais [e "Oração para desaparecer", da Socorro Acioli, foi a minha literatura mais emocionada do ano] e fui publicada na Antologia Poética da Academia de Letras da Grande São Paulo, com meu poema "Enquanto Trovoa".
Mas confesso que, praticamente, não escrevi quase nada de ficção talvez porque a vida esteja num nível de realismo fantástico existencial o suficiente para não me deixar escrever algo mais potente, confuso e surreal do que "apenas" existir nesse exato momento.
Sobre existir nesse exato momento: as dúvidas que beiram o abismo já não me abalam mais tanto quanto antes, já os lutos, sim, doem como morte matada ainda que seja morte morrida. O querer muito também não me desafia numa ansiedade dolorida como já foi. Quero tudo. Continuo querendo tudo, sem negociação, sem abrir mão do que [me] é importante, sem desistir por medo ou qualquer outra coisa parecida. Na dúvida, invento minha própria tiragem de cartas que sempre diz que "sentir implica em escolher" e eu escolho tudo.
Dos afetos: não importa onde estejam, a quantas milhas de distância ou vizinhança, só é preciso não esquecer de abraçar o mundo de quem está em nossas vidas por escolha e amor. Os outros, passageiros, às vezes com intenção de protagonismo, com falas e comportamentos desrespeitosos, continuam indo e vindo numa desimportância que não vale o "escrito".
Dos lugares, os que [me] são casa: revi aquela vila com meu sobrenome que já foi infância, voltei àquela vila carioca que já foi começo e ponte-aérea, e continuo naqueles corações todos que são morada, veraneio e porto-seguro. Tempo de entender que ser a "cura" de alguém não é elogio, nem fortaleza, mas ser a melhor cia em dia incríveis e naqueles que nos destroçam, sim. Aos que me deram o título de "cura", corrigi e quem insistiu, fui embora. Aos que me quiseram cia além de suas fragilidades e medo, fico todos os dias.
2026, seja lindo à minha maneira!
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