quinta-feira, 24 de novembro de 2016

NUNCA FOMOS BEIJA-FLORES

Nunca gostei do sabor da água com açúcar. Nunca gostei da sua precipitação, nem do doce que decanta fazendo a gente tomar uma água esquisita até chegar lá. Você nunca adoçou o que quer que fosse com sabor. Nem palavra, nem toque. Você nunca me fez mais tranquila. Até na calmaria você faz questão de precipitar excessos fazendo deles condições normais de temperatura, pressão e tensão. Você nunca achou solução para nada além da saturação. Nunca fomos beija-flores e talvez isso explique como cansamos antes do fim.


terça-feira, 15 de novembro de 2016

domingo, 16 de outubro de 2016

ESTUPIDEZ

Não, você não é intenso. Você é superfície. Planície de grande extensão, mas sem grande profundidade. Chão parado que gira em torno de si mesmo jurando movimento. Você também não tem boas intenções. Suas frases decoradas de livros de “como viver bem” não cabem nos seus braços que afastam, nos seus olhos que, inutilmente, competem, tão menos na vida que finge levar. Você [ainda] confunde bravura com braveza e se faz risível. Você até pede desculpas, mas repete culpa com a exatidão de quem sabe que pode ser um grande desastre. Você é raso e nem por isso é inofensivo, aliás, é no raso que se tropeça e as mortes imbecis acontecem justamente onde se dá pé.


domingo, 25 de setembro de 2016

LADAINHA

Eu te contei em diversos pedaços de orações. Todas elas sem santidade alguma. Sem compaixão. Com alguma fé. Com muito desejo. Em alguns rabiscos hostis. Com cuidado precário. Com vontade de dar certo. Em profecia duvidosa. Com amor. Implorando cura. Adiando fim.


sexta-feira, 9 de setembro de 2016

SOBRAS

Sobra tudo: tempo, silêncio, pronome obsessivo, tensão subordinada e desmedida. Sobra um tanto da gente que a gente não diz que a vida fica assim: com orações sem fé e excesso de incompletudes.