terça-feira, 12 de setembro de 2017

QUANDO SOUBE QUE TE PERDI

A vida também é um triste perder mesmo que não sei queira ganhar. É aquela sensação estranha de fragilidade quando já te deram o selo [equivocado] de fortaleza. Do choro de medo mesmo quando você sabe que consegue resolver qualquer coisa que está por vir. Do turbilhão de surpresas boas que também são ruins. É dor que só machuca quando a gente sabe da onde ela veio. É laudo assinado para ficar registrado. É susto que passa e afaga num colo macio fazendo a gente esquecer que daqui a pouco vem outro. 

terça-feira, 22 de agosto de 2017

DAR À LÍNGUA

A minha língua encosta na sua e faz aquela dança improvisada ritmada em respiração descompassada. E é nesse exato momento que eu acho a gente incrível. Ficaria ali por todo tempo, intercalando repouso e movimento nem sempre retilíneo e delicadamente uniforme. Ficaria ali, entre saliva e tomada de fôlego.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

39th

Tenho um quase segredo. Um segredo que conto para quase todo mundo. Que desejo aos outros nos dias dos outros. Que me faz ano novo sem ser dia primeiro: a vida fica mais leve em temporadas e os dias eu conto em episódios. Ter vésperas e antevésperas especiais tornam o nosso melhor dia um quase feriado prolongado. E a obsessão por fazer trilha sonora em playlists com títulos enormes ou tomar como minha a de alguém que entenda de afeto [me] fazem ter um norte quando as coisas parecem confusas, ou então só garantem uns bons sorrisos que de “só” não têm nada.

Parece bobo, eu sei. E talvez até seja. Mas ainda assim é bom enxergar a vida como palco e plateia. É bom crescer e saber que coisa boa mesmo é dançar descalça em casa aquela música que você e meia dúzia de gente conhece. Que refrão bom é aquele que todo mundo canta da música que dá vergonha. Que crescer é ser responsável, mas sem perder a ternura, a piada, o riso e o abraço. Parece fácil, eu sei. E talvez até seja. Mas conheço pouca gente aos trinta e tantos que ainda ri de si mesmo, que dança em dias de semana, que não abre mão da delicadeza, que não culpa os outros pela sua incompletude.

Vou dizer: dias atrás ouvi uma das coisas mais lindas da vida sobre mim por alguém que eu nem sabia que entendia tanto de mim. E quero ouvir de novo. De novo. E de novo. Então que venha uma temporada de delicadezas, para não perder nada que não seja, de fato, importante.

Que a versão 39th da vida seja como uma prece, um samba novo, um sacundin no meio da tarde, um sacundém cheio de vontade! Salve Jorge! 

domingo, 28 de maio de 2017

DA TUA GRANDEZA APRE[E]NDIDA

Quem te ensinou a inclinar o corpo para a direita enquanto sorri após uma boa ideia? Quem te ensinou a demorar abraço? Quem te ensinou a dizer essas coisas todas que [me] são importantes?  Quem te ensinou a curar a dor de palavra frágil até transformá-la em figura de linguagem? Quem te ensinou a sobreviver com tanta delicadeza?!

segunda-feira, 1 de maio de 2017

DO AMOR QUE SE GRITA PELA JANELA

Ele jura pelo Cash que seu amor equivale a toda poesia que derrama nas paredes, nos lençóis, na sua maneira desajeitada de fazê-la importante. Ele jura, declamando versos urgentes decorados com rima sofisticada e obscena, que ela o melhora a cada dia. Ele pede, com toda ternura de quem grita pela janela, que ela fique. Pelo menos uma vez para que seja para sempre.