Não é que a coisa toda acaba. É que tem hora que não faz mais sentido. Tem hora que ocupa mais espaço do que deveria. Não é que a gente muda de ideia. A ideia continua a mesma, mas ela não mais se encaixa. Não é que eu não sinto. Eu sinto e sinto tanto que transborda. Mas daí a gente cresce e percebe que entre o que se sente e o que é possível verbalizar depende da disponibilidade do outro em querer ouvir, prestar a atenção, entender como verdade, colocar como possibilidade e quem sabe, permitir chegar perto, perto o suficiente para fazer parte de alguma realidade. E é tanta condição, que cansa. Nenhum amor é perecível, mas o tempo é. E é por isso que dá a impressão de que a coisa toda acaba, sem mais e com tanto menos.