Postagens

BASEADO EM DORES REAIS

Dedinho do pé na quina de um móvel qualquer. Braço quebrado. Acidente de carro. Gente que vai embora sem explicar. Gente que fica só para atrapalhar. Palavra mal dita. Afeto escondido. Você, que conjuga as nossas pessoas fora de todos os tempos.

FOGOS E ARTIFÍCIOS

2016 me deu de presente alguns pedidos de anos passados: Começou com aquele folk-desejo do Mumford and Sons no Lollapalooza [e por mais que junto tenha tido o indie do Tame Impala, a delicadeza do Of Monsters and Men, a euforia do Eminem e a dançante Marina and The Diamonds, eu estava ali pelo banjo, bandolim e violão do Mumford, pela alegria que é pular feito criança em “I Will Wait” e pra fazer daquele show um concerto particular – sim, foi lindamente pessoal!]. Daí pra fazer valer um ano difícil [a gente vai lembrar de 2016 por tanta injustiça que às vezes dá impressão que não sairemos dele tão facilmente] veio Wilco e a sensação que tenho é que ali estávamos num reencontro de almas. Por onde se olhava se via abraços por todos os lados e sorrisos por todos os cantos. Talvez o Wilco tenha juntado um monte de gente que não se encontrava há tempos e fez isso da maneira mais bonita. “Impossible Germany” e seu solo majestoso estiveram para palco assim como “Jesus, etc” ficou por conta...

LEMBRANÇA LEVE QUE OPINA A TARDE

[Jordan Duailibe é dono de uma literatura que merece ser lida aos quatros cantos desse mundo.  Tenho a sorte e o privilégio de poder fazer dos nossos dias e conversas inspirações literárias e delicadeza. Hoje, aqui no De Analgésicos & Opioides, o capítulo é dele.  Como ele mesmo define: "um pequeno curta com passagens regionais"] Espreitava-se levemente sobre o cedro da varanda, onde os cotovelos pousavam bem vistos e confortáveis, perto das pequenas plantas em formação, ramificações que se cresciam em pequenos círculos verdes, nos vasos dourados que chispavam luz do sol, ali bebericava a pequena xícara branca e tragava um cigarro rapidamente, relembrando certas coisas que guardava a mente. Iria viajar e nem havia arrumado a mala, na cama ampla, roupas dobradas com cuidado, alguns perfumes, um pequeno guia de bolso e um tinteiro onde desenvolvia seus versos. Quinze anos que não revia o seu pai, num compromisso árduo de trabalho e cansaço, o prolongamento de t...

VOCÊ FOI FEITO PARA SER ESCRITO POR MIM

Você foi feito para ser escrito. Para ser capítulo que emenda em outro perdendo fôlego. Você foi feito para ser saliva entre os dedos enquanto se vira a página, a vida de cabeça pra baixo, o pescoço. Você foi feito para ser contado em figuras de linguagem, em amuletos ecumênicos e naquela questão dissimulada do vestibular mais concorrido - para desespero dos minutos e para nosso prolongado prazer. Você foi feito para ter essa barba perfeita que repousa no meu colo quando o sono está prestes a tomar seu corpo de mim. Você foi feito para durar para sempre mesmo que não demore muito. Você foi feito para ser escrito por mim [com amor].

NUNCA FOMOS BEIJA-FLORES

Nunca gostei do sabor da água com açúcar. Nunca gostei da sua precipitação, nem do doce que decanta fazendo a gente tomar uma água esquisita até chegar lá. Você nunca adoçou o que quer que fosse com sabor. Nem palavra, nem toque. Você nunca me fez mais tranquila. Até na calmaria você faz questão de precipitar excessos fazendo deles condições normais de temperatura, pressão e tensão. Você nunca achou solução para nada além da saturação. Nunca fomos beija-flores e talvez isso explique como cansamos antes do fim.

E AGORA?!

Quem vai fotografar suas paredes? Quem vai deitar seus medos? Quem vai fazer amor com o seu sexo? 

ESTUPIDEZ

Não, você não é intenso. Você é superfície. Planície de grande extensão, mas sem grande profundidade. Chão parado que gira em torno de si mesmo jurando movimento. Você também não tem boas intenções. Suas frases decoradas de livros de “como viver bem” não cabem nos seus braços que afastam, nos seus olhos que, inutilmente, competem, tão menos na vida que finge levar. Você [ainda] confunde bravura com braveza e se faz risível. Você até pede desculpas, mas repete culpa com a exatidão de quem sabe que pode ser um grande desastre. Você é raso e nem por isso é inofensivo, aliás, é no raso que se tropeça e as mortes imbecis acontecem justamente onde se dá pé.