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DAR À LÍNGUA

A minha língua encosta na sua e faz aquela dança improvisada ritmada em respiração descompassada. E é nesse exato momento que eu acho a gente incrível. Ficaria ali por todo tempo, intercalando repouso e movimento nem sempre retilíneo e delicadamente uniforme. Ficaria ali, entre saliva e tomada de fôlego.

39th

Tenho um quase segredo. Um segredo que conto para quase todo mundo. Que desejo aos outros nos dias dos outros. Que me faz ano novo sem ser dia primeiro: a vida fica mais leve em temporadas e os dias eu conto em episódios. Ter vésperas e antevésperas especiais tornam o nosso melhor dia um quase feriado prolongado. E a obsessão por fazer trilha sonora em playlists com títulos enormes ou tomar como minha a de alguém que entenda de afeto [me] fazem ter um norte quando as coisas parecem confusas, ou então só garantem uns bons sorrisos que de “só” não têm nada. Parece bobo, eu sei. E talvez até seja. Mas ainda assim é bom enxergar a vida como palco e plateia. É bom crescer e saber que coisa boa mesmo é dançar descalça em casa aquela música que você e meia dúzia de gente conhece. Que refrão bom é aquele que todo mundo canta da música que dá vergonha. Que crescer é ser responsável, mas sem perder a ternura, a piada, o riso e o abraço. Parece fácil, eu sei. E talvez até seja. Mas conheço p...

DA TUA GRANDEZA APRE[E]NDIDA

Quem te ensinou a inclinar o corpo para a direita enquanto sorri após uma boa ideia? Quem te ensinou a demorar abraço? Quem te ensinou a dizer essas coisas todas que [me] são importantes?  Quem te ensinou a curar a dor de palavra frágil até transformá-la em figura de linguagem? Quem te ensinou a sobreviver com tanta delicadeza?!

DO AMOR QUE SE GRITA PELA JANELA

Ele jura pelo Cash que seu amor equivale a toda poesia que derrama nas paredes, nos lençóis, na sua maneira desajeitada de fazê-la importante. Ele jura, declamando versos urgentes decorados com rima sofisticada e obscena, que ela o melhora a cada dia. Ele pede, com toda ternura de quem grita pela janela, que ela fique. Pelo menos uma vez para que seja para sempre. 

ENTRE SUAS BADERNAS

Do seu punhado de fome tenho sede. Da sua raiva que falece a cada respirar profundo sinto dor. Do toque suave das suas mãos [te] desejo: Em frações. Em segundos. Em uma breve eternidade que escorre margem. Em afeto e excitação. 

GLITTER

Vai, atropela alegoria. Harmoniza sua carne com a minha já que é carnaval. Perca o compasso do bloco para seguir samba que nem tem enredo. Vai na ginga, na malícia, no baile, sem máscara, emaranhando em nós toda cor de serpentina. Está chovendo purpurina, mas guardei glitter para fazer tempestade na quarta de cinzas.

[ME] DEMORA

Prorrogue o alongamento dos seus braços nas minhas pernas. Pode atrasar em mim. [Me] acomoda. Fique mais um pouco. [Me] demora para que eu possa te fazer vértice. [Me] encontra aqui em mim.