Postagens

TODA COISA NOSSA

Ela apenas complementa, um dia depois de tantos outros: "Aceito a minha parte. Toda ela. Sem metades" E ela, não considerou as circunstâncias [des]favoráveis. Nem o [des]cuidado das coisas. Lembrou apenas que "pode sim, pode sempre como toda coisa nossa". ["pode sim, pode sempre como toda coisa nossa" faz parte do poema "Campo de Sucatas", de Paulo Leminski]

TEATRO DO ABSURDO

Fantoches percorrem os corredores de paredes monocromáticas. Suas fábulas são [quase] fantásticas. Seus enredos, duvidosos. A pressa dos [seus] passos confundem a métrica. As pausas, inquietas, provocam absurdo. Tudo é finito. Nada precisa ter sentido. Ele não espera a coerência da forma exata. Sua arte é abstrata. Epidérmica. Achatada em camadas superficiais de si mesmo.

SE NÃO QUISER ME DAR, ME EMPRESTA?!

  Ela preferia os retratos do que os breves ensaios literários. Ela tinha dessas coisas de olhar as paredes nas paralelas. De colorir seus vértices com cores sutis. De olhar os blocos de carnaval pela janela. De lembrar de coisas [des]importantes. De guardar o poema que não era seu. Ela ainda me olhava com os olhos de 15 anos. Mas outros 15 se passaram. E juntos, não tivemos filhos. Nem cachorro, nem sofás. Nem mesmo as paredes foram nossas de fato. Temos apenas alguns poucos retratos. E só. E o que nos resta?! Um começo. Alguns carnavais. Alguns dias. E mais outros tantos. E se não quiser me dar, me empresta?! [...] Ele apareceu dias desses, sem avisar. No meio de uma marchinha de carnaval. E nos fez [des]propósito. ["Se não quiser me dar, me empresta" é o nome de um bloco de carnaval de Ipanema, RJ]

DA PRIMEIRA VEZ QUE TE VI

Da próxima vez que me encontrar, não me tire para dançar. Não me olhe como se já soubesse de mim. Não disfarce tensão com amenidades. Não atribua mais dias a todos os outros que te conheci [seria justo a todos os não versos que deixei de atribuir a você]. Gosto mais de você agora, já que não há mais motivos.

THESE THINGS TAKE TIME

  Em algum momento – e confesso a estupidez de não saber exatamente quando – a vida se tornou substantivo diminutivo. Os parágrafos todos foram compactados em pequenas frases de palavras tensas e breves. Em (des)confortantes versões das mesmas coisas. E nessas horas, prefiro ouvir qualquer coisa do Tom Waits. É, qualquer coisa. Long way home... [Em memória de Dudu Caribé , todo o meu carinho. "Diorio na Colina" sempre será a minha faixa predileta. E saiba: sentirei saudades.]

SOMEDAYS

Alguns dias não são realmente [só] seus. Eles são bem mais plurais. E em 2009 não foi diferente. Os meus planos rápidos de felicidade foram cumpridos na medida do possível e por que não dizer, de maneira desmedida. Nem exata. Nem pouca [...] Os exercícios literários ganharam cores. Os 23 anos de amizade foram comemorados. Os sorrisos [quase] todos se repetiram. [Alguns deles foram embora, admito]. As cervejas ganharam novos endereços. E com isso aumentamos a nossa lista de lugares prediletos para estar junto. A Gi voltou para o Brasil. [E foi dela o abraço mais cheio de saudade de 2009 - talvez porque ele não acontecia desde 2004]. Juquitiba foi cenário de um dos finais de semana mais divertidos da tal da "nona turma". Buenos Aires foi o meu roteiro "a la Cameron Crowe". Teve mapa. Trilha sonora emprestada. Encontros [im]prováveis. E como numa [re]leitura de um clássico, a ída para o Grand'Hotel após 6 anos, teve sua versão de vanguarda. InRainbows foi a junção ...

E se tudo se resumisse em gentilezas?!

Imagem