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POESIA MUSICADA
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O poema "Prudência", que escrevi em meados de 2005 foi musicado pela banda HAZIZ... só faltam alguns arranjos e em breve estará disponível por aqui. Por enquanto, fiquem com os versos sempre livres, sempre fora de métrica, sempre tão meus. PRUDÊNCIA Prudência, talvez Vejo em mim vestígios de uma ausência tumultuada E não me reconheço E me despeço Quero evitar roteiros previsíveis (todas as possibilidades de volta) E me entrego Invento você, assim, quase sem querer Desenho situações glicosadas do seu cotidiano E mesmo com todas as facilidades Meu raciocínio te desmente Sou outra. Sou uma. Sou duas E este coração já não me pertence como antes Não suporta carregar válvulas, átrios e ventrículos Não situa sequências ritmadas em seus diálogos E eu me traio Olho ao lado. Quase fora do meu alcance Prudência, talvez.
DEVOLVA-ME
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Devolva-me. Devolva-me todas as manhãs despretensiosas. Devolva-me todo o imperativo dos meus verbos. Todos os meus sorrisos sem motivos. Todo abraço desperdiçado. Todos os dias antes de ontem. Devolva-me meus carnavais de columbina. Todas as folhas de outros outonos. Todos os refrões que roubei. Todos os lugares que estive. Eu quero ir embora. E quero levar os sentimentos que eu achava conhecer antes de nós. P.S.: [texto escrito num dia de exercícios literários]
Você de repente não estranha de ser você? [Clarice Lispector]
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Cenário: boteco Assunto: 22 anos de amizade (sim, já passamos da maioridade!) Nos conhecemos em 1987, tínhamos 7 anos e meio de idade e segundo a Daniela, o primeiro trabalho de escola que fizemos juntas eu "exigi" que ela usasse a minha caneta vermelha - porque segundo essa que vos fala, era a mais bonita. Se não bastasse, eu ainda pedi pra ela escrever sobre uma toalha, que segundo meus conhecimentos técnicos de caligrafia, a letra dela ficaria mais bonita também. Arrogância total, não?! Mas desde então nos tornamos cúmplices da vida da outra. Em 22 anos fomos às melhores baladas, e nas piores também. (Nos divertimos em todas). Eu me tornei uma fumante passiva há 15 anos, acho. E ela, a melhor ouvinte dos meus dramas. Somos cúmplices de nossas diferenças (ela prefere os "arrumadinhos estáveis", eu os "que ouvem Smiths e andam descalços pela casa"), mas já nos apaixonamos por "tipos comuns". Somos cúmplices de nossas famílias (em 22 anos, é ...
TARANTINO'S MIND [um curta-metragem divertidíssimo inspirado em Tarantino]
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EPISÓDIOS MEUS, EPISÓDIOS TEUS
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[ este texto é continuação do post de 05 de maio de 2007 ] Tudo nele me intriga. Tudo nele é o que eu quero pra mim, embora não admita. Eu não sei quem inventou essa coisa de metáfora, mas eu sei todas as suas metáforas de cor. Estou sempre pronta pra um teste sobre ele. Sobre os seus trinta e poucos anos. Sobre seus defeitos imperdoáveis. Sobre sua fragilidade escondida em frases inteligentemente construídas só pra me enganar. Gosto quando ele faz a barba pensando em mim e sorri para o espelho. (Ele nunca me contou que sorri pensando em mim enquanto faz a barba, mas sei que vez ou outra isso acontece.) Gosto quando ele tenta me convencer que seus testes de múltiplas escolhas são suas melhores opções, e que juntos, somos melhores. (Eu nunca disse isso pra ele, talvez nunca diga, mas sei que juntos somos melhores. Ele me convenceu.) Tudo em mim é quase silêncio em partituras emprestadas. Gosto de cachecol vermelho em dias frios. Gosto de pés descalços em dias como hoje. Gosto de vo...
HAPPY NEW YEAR
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Antes do último dia do ano acabar, fiz planos rápidos de felicidade pr'agora. E eles incluem feriados prolongados em lugares que ainda não conheço, Darklands do Jesus & Mary Chain para os finais de tarde, dias surreais em Portugal com a Giseli, ouvir todos os acordes do álbum Ocean Rain do Echo & The Bunnymen no Royal Albert Hall em Londres, em setembro, visitar mais vezes a minha irmã no Paraná e não mentir pra mim tentando ser metade do que sinto. No ano que passou eu publiquei meu primeiro livro, pedi demissão e ganhei uma promoção, briguei com um dos meus melhores amigos e pra fazê-lo entender que a vida não se resume em uma briga, tentei convencê-lo em sete ou dez postais (não me recordo bem) de que juntos, somos muito mais interessantes e completos, e acho que foi meu melhor pedido de desculpas até hoje. No ano que passou eu vi Mutantes bem de perto. Chorei as mesmas saudades. Tive que ir ao dermatologista várias vezes porque meu coração resolveu achar que meus pro...