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AMOR-GATO

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Este é o Kolber, meu amor -gato , meu amor superlativo... dono do meu abraço mais terno, dono dos meus ataques de risos quando ele se enrola num novelo ( nervoso porque as coisas não saem do jeito que ele planejou), dono de um amor que eu sei que será pra sempre (coisas que a gente não tem mais tanta certeza hoje em dia) P'ra ouvir num domingo imensamente quente, embora chuvoso: "IF SHE WANTS ME" - BELLE AND SEBASTIAN
Depois de trinta (texto escrito pelo meu querido amigo Jordan, o maranhense mais carioca do que muitos cariocas,) Depois de trinta anos deixastes tua última lágrima cair.Depois de trinta;em que carregou nos bolsos os amigos comunicativos e teimosos.O vento lhe traz carnavais antigos,de um mundo que esvaziava copos e dançava por madrugadas bacantes em salões.Certamente hoje está seco.E aquelas juras de amor já não é mais canto de suas mensagens,tantos poemas enrugados e abafados...quis se livrar...Mas lembra de todos,quando o uísque te invade.No bolso leva beijo de mulheres,brigas,amores dissolvidos,febre,outros amigos,as conversas na biblioteca,uma dedicatória numa página.Teu espelho não te perdoa,implacável,inimigo;quando acorda pelos dias com fios brancos.Depois de trinta desaprendeu a sambar,hoje o que te conserva é uma seresta tocada ao fundo.O vento lhe traz vozes antigas:eu te amo...você é um grande amigo...terá mesmo que partir?Me dá um beijo...escuta,é a tua música...Depois de...

THE PIANO, por Aidan Gibbons

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O último dia do ano não é o último dia do tempo. O último dia do tempo não é o último dia de tudo. Outros dias virão. (Carlos Drummond de Andrade)

Laissez moi pleurer

"Queria compreender tudo, saber tudo, realizar tudo, dizer tudo, gozar tudo, sofrer tudo, sim, sofrer tudo. Mas nada disso faço, nada, nada. Fico atormentada pela idéia daquilo que queria ter, poder, sentir. A minha vida é um sonho imenso. Penso, às vezes, que gostaria de cometer todos os crimes, todos os vícios, todas as ações belas, nobres, grandiosas, beber o belo, o verdadeiro, o bem de um só trago e adormecer em seguida para sempre no seio tranquilo do Nada. Deixem-me chorar." [F. Pessoa]

SOBRE O BEIJO | JULIOR CORTÁZAR

“Toco a tua boca, com um dedo toco o contorno da tua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a tua boca se entreabrisse, e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha mão escolheu e te desenha no rosto, uma boca eleita entre todas, com soberana liberdade eleita por mim para desenhá-la com minha mão em teu rosto e que por um acaso que não procuro compreender, coincide exatamente com a tua boca que sorri debaixo daquela que a minha mão te desenha. Tu me olhas, de perto, tu me olhas, cada vez mais de perto e, então, brincamos de “ciclope”, olhamo-nos cada vez mais perto e nossos olhos se tornam maiores, aproximam-se, sobrepõem-se, e os “ciclopes” se olham, respirando indistintas, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas tuas cavernas, onde um ar pesado...

O JARDIM SECRETO

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Se olhar com pressa, é um lugar comum. Mas é longe. Longe de mim. Fico imaginando como seria uma tarde, composta na fotografia que abriga meu desassossego... Eu olho pra ela como se soubesse de suas lágrimas. Eu olho pra mim e me confundo com você. A minha tristeza agora é confusa. Porque naquela fotografia não tem você. Não tem seus olhos que tanto gosto de olhar. Tem apenas a suposição de dias demorados, quando você ainda não existia. Hoje, bem mais perto, mesmo se olhar com pressa sei que não é um lugar comum. E nunca vai ser. No verso, você me empresta o jardim que não tive. E eu olho pra ele em busca da paz que você diz ter. P.S.: Pra ouvir: The thanks I Get