sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

NUNCA ME ESQUEÇO DO QUE SINTO

Nunca me esqueço do que sinto. Mesmo quando deveria. Ainda que não precisasse ser lembrança. Nem quando é música, verso ou poesia-tentativa. Tão menos quando, sem querer, alguém me salva de mim mesma. 2015, na intimidade, me fez mais ébria com propriedade [uma vida com drinkability tem lá sua graça!], me permitiu aprender só por prazer, a harmonizar a vida além da palavra. 2015, na lente de aumento, foi um ano maldoso, intolerante, da liquidez nociva dos pequenos grandes bandos. Parece até que 2015 foi dirigido por Wes Anderson: tem lá seus filtros de cores que nos fazem fugir do nosso tempo com certa elegância, mas também só pode ser divertido se você não fizer parte dele – o que me faz achar que 2015 realmente tenha sido um bom entretenimento para quem foi apenas espectador, ainda que seja difícil de classificar entre a comédia de mau gosto e o drama de estranheza duvidosa.

Ainda assim 2015 merece o meu “muito” obrigada: Pela dedicatória no livro "Inteligência das Coisas Cegas" [está lá, num parágrafo todo afetuoso, de uma lindeza sem tamanho, do meu mais novo escritor predileto]. Pelo convite para escrever um filme [sim, sim... uma parceria linda, com um escritor e roteirista que eu lia de “antigamente” e que tem me divertido e me incentivado a escrever!]. Pelos cafés, cervejas, shows e feriados inventados por quem quer estar junto. Por todos que ficaram [a vida é um vai e vem, mas é bom saber quem fica!]. Por todos que fizeram da [nossa] vida alguma boniteza.

E que 2016 tenha o sabor [e a euforia] de ordem trappista, o cheiro de café e todo bem-querer. Que todo silêncio seja de admiração e não por incompetência. Que 2016 seja um ano pra lá de bom, já que tudo que sinto não me permite esquecer.  

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