quarta-feira, 30 de abril de 2014

UMA CANÇÃO FRANCESA

As notas do acordeão começaram suaves e foram ficando mais altas como se pontuassem o meridiano cardíaco dela nos compassos da respiração dele. Eles eram como uma canção francesa distraída em paredes com pé direito alto e eco suficiente para o jogral de manifestos de intenções em tons mais altos repetidos pelos tons sussurrados do outro. Eles eram harmonicamente estrangeiros ainda que os pés insistissem em caminhar pelo chão de toda infância. Eles ventilavam cavidades com poesia sofisticada. Eles cabiam em todas as oitavas da mesma tecla, em fole.

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