quarta-feira, 19 de julho de 2017

39th

Tenho um quase segredo. Um segredo que conto para quase todo mundo. Que desejo aos outros nos dias dos outros. Que me faz ano novo sem ser dia primeiro: a vida fica mais leve em temporadas e os dias eu conto em episódios. Ter vésperas e antevésperas especiais tornam o nosso melhor dia um quase feriado prolongado. E a obsessão por fazer trilha sonora em playlists com títulos enormes ou tomar como minha a de alguém que entenda de afeto [me] fazem ter um norte quando as coisas parecem confusas, ou então só garantem uns bons sorrisos que de “só” não têm nada.

Parece bobo, eu sei. E talvez até seja. Mas ainda assim é bom enxergar a vida como palco e plateia. É bom crescer e saber que coisa boa mesmo é dançar descalça em casa aquela música que você e meia dúzia de gente conhece. Que refrão bom é aquele que todo mundo canta da música que dá vergonha. Que crescer é ser responsável, mas sem perder a ternura, a piada, o riso e o abraço. Parece fácil, eu sei. E talvez até seja. Mas conheço pouca gente aos trinta e tantos que ainda ri de si mesmo, que dança em dias de semana, que não abre mão da delicadeza, que não culpa os outros pela sua incompletude.

Vou dizer: dias atrás ouvi uma das coisas mais lindas da vida sobre mim por alguém que eu nem sabia que entendia tanto de mim. E quero ouvir de novo. De novo. E de novo. Então que venha uma temporada de delicadezas, para não perder nada que não seja, de fato, importante.

Que a versão 39th da vida seja como uma prece, um samba novo, um sacundin no meio da tarde, um sacundém cheio de vontade! Salve Jorge! 

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