terça-feira, 6 de novembro de 2012

NOSSA CANÇÃO



Ela ainda não sabia como iria dizer tudo aquilo. Testou vários formatos. Ensaiou cada improviso. Das formalidades todas, deixou no meio de algum caminho. Passou pelos clichês. [Quase todos]. Desistiu deles porque sabia que dizer tudo aquilo merecia muito mais.  Envolveu-se com o afeto que ele dizia transbordar, mas não saberia dizer dele além da dança que ainda parecia descompassada. Ainda não tinham dançado juntos nenhuma canção nossa. Depois de um tempo achou tudo aquilo um [des]propósito. Que poderia ser apenas um capricho de menina que colecionava sentimentalidades inventadas. Guardou o seu quase-discurso de intenções na pasta de exercícios literárias e esperou. Esperou o dia que esbarrariam em algum lugar comum. Esperou que o acaso tivesse seu dia de grandeza e fizesse algum destino. Gostava de Mário Quintana, e gostava de distorcer versões que não eram suas de fato.

10 comentários:

  1. Não vem outro elogio a seu texto a não ser Belíssimo.

    ResponderExcluir
  2. Um cliche as vezes cai bem!! eu pelo menos adoro (a depender né)!

    ResponderExcluir
  3. Pra que guardar? Avida eh tao curta...

    ResponderExcluir
  4. adorei o texto, e concordo com Pergunte mulher, as vezes um cliche cai bem ;]
    Nunca li Mário Quintana, mas sempre tive curiosidade

    ResponderExcluir
  5. Achei legal o texto.Parabéns pelo blog!

    ResponderExcluir
  6. Muito interessante e poético
    http://quebizarrice.blogspot.com/2012/11/perderenemhahaha.html

    ResponderExcluir
  7. hey Tati!!
    que bom te-la de volta no Song Sweet Song tbm!
    dei uma descuidada no blog, estou postando muito pouco, mas não vou deixá-lo morrer, mesmo raros, os posts continuarão aparecendo por lá!

    ah, esse seu texto me remeteu a algo muito bacana, que é nossa mania de ensaiar o que queremos dizer para alguém, toda a situação completa, com os dramas e os triunfos que o momento merece, sem pensar que a outra pessoa pode não seguir o script, e derrubar todas as nossas intenções! hahaha
    o esquema é esse mesmo que você sugeriu: vamos guardar nosso roteiro numa pasta e deixar o acaso (destino? Deus?) cuidar para que a dança saía com naturalidade.

    songsweetsong.blogspot.com

    ResponderExcluir
  8. Nos menores fracos se encontram os melhores perfumes.
    http://nipponpress.blogspot.com.br/2012/11/pessoas-fazem-preces-em-memorias-de.html

    ResponderExcluir